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domingo, 6 de julho de 2014

"Um nhénhénhém agudo" -- João Donato


Mais uma vez a secção "Cultura" do Jornal O Globo se foca em um artista brasileiro bem interessante. Aqui é João Donato, que é músico dum estilo bem misturado. Como ele mesmo explica,
 — Eu não sou bossa nova, eu não sou samba, eu não sou jazz, eu não sou rumba, eu não sou forró. Na verdade eu sou isso tudo ao mesmo tempo — diz Donato 
Interessante o que ele fala sobre a música, a sua ingenuidade e o jeito pueril no qual o jornalista o descreve...
O barulho da chuva é música, a onda no mar é música, o bate bola dos moleques lá fora é música, o latido do cachorro é música, a bananeira no vento também é música. Para João Donato tudo é música.
Porém, "Coisas Tão Simples", aqui o seu canto mais famoso, "Lugar comum":


O que é mais simples do que a beira do mar? A água batendo, o fogo do sol?

Leia mais aqui: http://oglobo.globo.com/cultura/joao-donato-um-jovem-aos-80-anos-13142405#ixzz36hj8KmLJ 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Central points raised on social media and narcissism


From "Is Facebook sharing making us more vain?", The Guardian (2013)

A Facebook profile is often a carefully constructed public image: it reflects how you want others to see you, rather than who you actually are. Like some sort of grotesque, endless carousel, people are portrayed as constantly smiling, on nights out, or on holiday. Consumer culture encourages us to favour happy, affluent people, so it is little surprise people feel pressured to present themselves in their best light on their profiles. Pictures are vetted, carefully selected and sometimes even Photoshopped. Weaknesses, insecurities and imperfections are generally left out. The problem is, these are the very things that make us lovable human beings – the Facebook profile is just a vacuous, usually unrepresentative, projection of the user.

From online debate "You Like Me! You really like me!", The New York Times (2013)

As one paper concluded, narcissists use Twitter “as a kind of technologically augmented megaphone: A means of amplifying one’s own perceived superiority to others.” They use Facebook as “a technologically enhanced mirror, reflecting a preoccupation with one’s own image, others’ reactions to this image, and a desire to update the image as frequently as possible.” - Jean Twenge
[...] don't hate the player -- hate the game. It's just what we've been trained to do. [...] Anonymous or pseudonymous posting can relieve us of the burdens of social media, and the resulting narcissistic behavior. [...] Many of us have become so concerned with maintaining our carefully crafted online presence that expressing our true feelings and ideas often takes a back seat. Anonymous posting enables honest expression, unencumbered by identity. - Chris Poole
To be fair, it isn’t easy to know the best way to promote one’s self in a brand-driven and competitive business where style seems to trump substance. But I have a simple rule of thumb for actors: If what you’re posting can, in some way, be "shared" by "friends," post it. This includes plays, performances, openings, or television premieres. It is part of your job as an artist and entrepreneur to let us know about your work. If it’s simply good news for you, then pick up a phone, call the folks close to you, and keep in mind that most likely your 675 actor friends on Facebook are not “On Set!" like you; they are probably "At the unemployment office!" or "Counting Tips!" In other words, don’t tell us how “blessed” you are, show it … by having some grace, taste and humility. Facebook isn’t the problem. Our need to validate ourselves with outside approval is. Please share this on Facebook… - Joe Holt
Facebook will probably be passé as well as Twitter, though I cringe to think what will replace them. In the meantime I will be content to use my landline and email in private. Perhaps I am the narcissist. - Bruce McKinney
Once we understand the actual issues involved in narcissistic disturbance, we can be on the lookout for how we, and others, use and rely on social media platforms. We can even become more expert at discerning what is a healthy degree of sharing versus what is merely a compulsive pursuit for attention. - Eleanor Payson
From "Is Facebook making us Lonelier?", The Atlantic (2012)
Vickers’s web of connections had grown broader but shallower, as has happened for many of us. We are living in an isolation that would have been unimaginable to our ancestors, and yet we have never been more accessible.  
What Facebook has revealed about human nature—and this is not a minor revelation—is that a connection is not the same thing as a bond, and that instant and total connection is no salvation, no ticket to a happier, better world or a more liberated version of humanity. Solitude used to be good for self-reflection and self-reinvention. But now we are left thinking about who we are all the time, without ever really thinking about who we are. Facebook denies us a pleasure whose profundity we had underestimated: the chance to forget about ourselves for a while, the chance to disconnect. 

Those were just a few of my favourite of the best out there...  'bye!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

I'll hold on to anything which gives me hope

It's been over a week since the cotyledons have lifted their pretty heads out of the soil, and I check on them everyday hoping I will get to see some new real life, a real stalk, something I know I can count on.

And here they are, deep in the heart of the cotylies are the beginnings of hope...



I thought it wouldn't take so long, but slowly and steadily we'll make it there.

Actually this post is not just about my reflections on botanical facts, but a reflection on my situation at the moment. The cotyledons are a temporary stage of being, just like my temporary stay in Brazil. I am pining to find that steady stalk of life to continue with the life I had before. Indeed, it is a big chance considering I was a minuscule seed in an envelope and now I am green and breathing life, but knowing that my potential is deep within and as yet locked in leaves me waiting for more, hoping for more...

The beauty of all this is that the stalk of life, the aromatic leaves which will sprout out will not be need to be planted: they come from within.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Entendendo o Brasil com Domenico de Masi

Deparei essa entrevista do programa do Roberto D'Avila por acaso. Me chamou a atenção o fato que D'Avila e o seu entrevistado do dia, o sociólogo italiano Domenico de Masi, estavam se entendendo em duas idiomas sem problema algum: português e italiano. Nem chegaram a fazer frases portu-ianos, como costuma acontecer.

Mas salvo essa curiosidade, adorei essa entrevista porque me ajudou a entender um pouco mais a vida dos brasileiros do ponto de vista de um europeu, como mim.

Alguns pontos que gostei da tese do sociólogo, eram quando ele falou sobre o otimismo e o carinho do povo brasileiro. Ele remonta essa cultura à origem da população brasileira - os índios - que tinham a tradição de enfeitar o corpo deles, fazendo jóias a mão, se pintando e arrumando para gostar a si mesmos e aos amados deles. Isso, ele fala, ajudou a fazer o povo mais criativo, mais altruísta e porém mais carinhoso. Eu acho que essa característica destaca este povo, distinguindo-o do povo europeu, e do meu ponto de vista, também daquele toque meio árabe.

Mas D'Avila objeta -- pode De Masi falar de um povo generoso e cuidadoso em frente a violência, a corrupção e o desespero de quem mora em cidades grandes como no Rio e São Paulo? Sim, responde De Masi, aqui não se pode confundir os corações do povo com as inclinações pecaminosas do homem. Quem não se sente magoado vivendo numa comunidade sem esgoto, sem água limpa, quando a 100 metros de casa tem quem tem dinheiro pra torrar? Isso, sem dúvida e como aconteceria em qualquer lugar do mundo, gera ódio, gera violência e porém gera um círculo de vida criminosa.

Com certeza isso me lembrou o que o policial tinha me falado aquele dia quando foi assaltada: "Apesar do seu sofrimento e o sofrimento que sentem esses moleques, só Ele é mais forte da gente", apontando pelo Cristo Redentor no Corcovado, lá em cima de nós.



E finalmente, aqui o vídeo da entrevista na integra.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Lembrando uma mulher impossível: Rose Marie Muraro

O que que acontece? Infelizmente muitas vezes acaba que as notícias mais "bobas" ficam na primeira página, deixando atrás artigos mais importantes e relevantes pela sociedade. Hoje o jornal O Globo (aí já menos fofoca do que o portal do globo.com) reportou a morte da intelectual Rose Marie Muraro, ainda se no final da página inicial. Li o artigo ainda se não sabia quem era a senhora mencionada.

Aprendi que Muraro foi uma revolucionaria da sua época, escritora de mais de 40 livros (lembre-se que falei que ela nasceu cega e recuperou a vista só aos 66 anos!!), também editora da Editora Vozes. Ela estudou física e economia mas deixou os estudos quando se casou, dando assim inspiração para ela entender qual eram as escolhas que ela fez na vida dela. Entre os livros mais polêmicos que ela escreveu temos "Por uma erótica cristã", sobre a teologia da libertação e o feminismo, mas que custou a expulsão dela da Editora Vozes, por expresso ordem do Vaticano.
Fui pôr fogo no mundo, fui ser editora. E eu vi que eram os livros que punham fogo no mundo.
O jornal também citou um vídeo que despertou ainda mais o meu interesse...


Neste pequeno vídeo ela fala da importância da mulher se conhecer, de se amar, ainda mais quando essa escolha de se casar.
Ou eu volto por dentro ou eu morro.
De viver a vida dela próprio, do que se perder na vida de "mulher-casada", perdida numa mistura de duas pessoas porque sim, muitas vezes acaba que o marido tem um papel mais importante na vida de casal. (Isso eu vejo muito na vida dos brasileiros.)

Ela fala que quando começa um casamento acaba o relacionamento homem-mulher: em vez entram dinheiro, filhos, a vida cotidiana -- muitas vezes uma parte sempre acaba sendo a parte masoquista do casal, porém deixa de ser uma relação do profundo, uma verdadeira relação de homem-mulher.

Por isso, ela fala da importância da mulher casada viver uma vida dupla, conhecendo assim a vida dela, descobrindo o prazer e o sentido da vida.

É uma pena que sempre as pessoas que nos inspiram mais são deixadas na sombra da vida. Quando a vida está saindo dos nossos dedos não é um gol que vai nos salvar, mas a esperança e o sabedoria de pessoas como da Sra. Muraro. Que a alma dela descansa em paz - e que ela continue a nos inspirar mais!